Reajuste do aluguel perde força em BH

A alta do preço do aluguel residencial em Belo Horizonte começa a perder força. Os preços, que vinham subindo de três a quatro vezes acima da taxa de inflação, tiveram reajuste de 0,30% em julho, bem próximo do aumento do custo de vida na capital, que foi de 0,29%, segundo levantamento da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI) e do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (Ipead-UFMG). A alta de preço do aluguel, no entanto, continua bem acima do Índice Geral de Preço do Mercado (IGP-M), que teve deflação de 0,68% nos 10 primeiros dias de agosto, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). O IGP-M é o índice usado para a correção da maior parte dos contratos de aluguel e registrou queda em todo este ano. No mês passado, caiu 0,43%.

“O recuo na alta do aluguel residencial em julho sinaliza que o reajuste deve ser mais moderado este semestre, como era previsto”, afirma Ariano Cavalcanti de Paula, presidente da CMI. O aluguel residencial vinha registrando uma escalada de preço no primeiro semestre, com aumento acumulado de 8,08%, enquanto a inflação no mesmo período foi de 3,05%. Mas a oferta de unidades começa a crescer, o que favorece o recuo dos reajustes.

Já os aumentos dos preços do aluguel comercial continuam bem acima da inflação. O aumento foi de 1,81% em julho. No ano, a alta é de 9,52%. A oferta de imóveis comerciais para locação apresentou queda de 5,01% em julho e aumento acumulado de 20,22% nos últimos 12 meses. A escassez de oferta é maior nos andares corridos. “No caso dos imóveis comerciais, a correção da oferta é mais lenta e o mercado demora mais a responder”, diz Paula.

Mesmo com a alta da oferta nos imóveis residenciais, o déficit de unidades para a locação ainda é alto em Belo Horizonte, segundo o diretor da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues. “O investidor ainda está tímido”, observa. Os contratos de aluguel geralmente são negociados pelo prazo de 30 meses, com correção pelo IGP-M. Em julho, a oferta de imóveis residenciais para locação teve queda de 2,14% em Belo Horizonte, mas o acumulado nos últimos 12 meses é positivo: 43,11%. No ano, a alta é de 15,55%.

As diversas linhas de financiamento habitacional lançadas pelo governo, com subsídios elevados, levam muitos consumidores a sair do aluguel e buscar a casa própria. O pastor Rodrigo Gonçalves da Silva quer se livrar do aluguel até o fim do ano. Ele mora com a família em um apartamento de dois quartos no Bairro Saudade, Em Belo Horizonte. Ele paga R$ 590 de aluguel e quer comprar um imóvel no valor entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. “Se eu der uma entrada mínima, em torno de R$ 10 mil, vou pagar entre R$ 600 e R$ 700 de prestação durante 30 anos. É o valor do aluguel, só que sem os reajustes elevados”, observa Silva. Ele estima que em quatro anos o valor do seu aluguel pode superar a R$ 800.

fonte: Geórgea Choucair – Estado de Minas (www.uai.com.br – Quarta-feira 12 de agosto de 2009 06:37)

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